Alienação/desalienação.
Pela outra vertente da palavra “Alienação” que
etimologicamente, tem origem no latim alienare (alienus) e significa: que
pertence a outrem (a um outro). Por esta concepção, uma pessoa alienada é
alguém que vive à margem de sua própria realidade sobrevivendo e se permitindo
viver sob a tutela da realidade de outra pessoa. Quando nascemos, dependentes
pela necessidade de sobrevivência somos logo alienados à “mãe” (Outro) a ponto
de fusão das percepções e personalidade. A criança se percebe como extensão do
corpo da mãe.
Aos poucos, se o ambiente produz espaço propício para que
surja o gesto espontâneos criativo, e margem de segurança e autoconfiança
suficiente para alçar-se ao novo e desconhecido mundo pela frente, o indivíduo
vai aos poucos se separando, ou, desalienando-se do outro, em grande medida, do
Outro maiúsculo, “Grande Outro”, que significa tudo o que lhe é externo ou
alheio. A dependência ao Outro, gera uma série de sintomas, inibições e
sofrimentos que se arrastam sem nome e sem localização pontual na vida
impedindo sua completa realização e senso de pessoalidade. A individuação é um
processo pelo qual é preciso ser resgatado por meio de análise e pela dinâmica
de uma nova vida, onde o sujeito se torna desvinculado de vícios inconscientes
e repetições que o constrangem a um pequeno círculo rotativo de estórias
criadas pela sua própria fantasia de ser.
Eliezer Andrade é psicanalista clínico e atende Online e presencial em Natal/RN
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