sexta-feira, 14 de julho de 2017

Doenças por causas emocionais. 

É preciso falar para não adoecer.




Como identificar e tratar doenças psicossomáticas

São chamadas, doenças psicossomáticas, isto é, quando os sintomas somatizam no corpo em função de sobrecarga emocional. Quando não se pode falar sobre o sofrimento o corpo trata de dar vazão em forma de sintomas físicos pedindo socorro e providência. Sentimentos como raiva, ansiedade, angústia, medo ou desejo de vingança, acumulados, podem produzir doenças reais e físicas como depressão, dores no abdômen, diarreia, enxaquecas ou tremores, etc. Cada pessoa pode manifestar fisicamente as suas tensões emocionais em diferentes órgãos, podendo causar ou piorar muitas doenças. As somatizações também migram de tempos em tempos para partes diferentes do corpo conforme sua representação e processos psíquicos inconscientes.
Alguns exemplos são: somatizar
1. Estômago: gastrite, úlcera, sensação de enjoo;
2. Intestino: diarreia, prisão de ventre, inflamações intestinais e síndrome do intestino irritável;
3. Garganta: sensação de nó na garganta, irritações constantes na garganta e amígdalas;
4. Imunidade: recorrências de gripes e resfriados, e piora de doenças relacionadas à imunidade como lupus, artrite, hipotireoidismo e diabetes;
5. Pulmões: crises de asma, bronquites e sensações de falta de ar;
6. Músculos e articulações: tensão muscular, fibromialgia, dores nas pernas e tendinites;
7. Coração e circulação: surgimento ou piora da pressão alta, sensação de dores no peito, que pode ser confundida com infarto;
8. Rins e bexiga: infecção urinária de repetição e dores para urinar;
9. Pele: dermatites, acne, queda de cabelo, vitiligo, psoríase e reativação da herpes;
10. Região íntima: piora da impotência e diminuição do desejo sexual, dificuldade para engravidar e alterações do ciclo menstrual;
11. Cabeça: crises de dor de cabeça, enxaqueca e depressão.

Como identificar e tratar doenças psicossomáticas?
Trauma na infância ou após acontecimentos marcantes, abusos, além de conflitos de família são algumas situações que podem deixar a pessoa com medo e desmotivada para seguir em frente; situações de violência psicológica e de desmotivação, como acontece nos casos de violência doméstica e bullying; muita ansiedade e tristeza em pessoas que não compartilham ou conversam sobre seus problemas.

Não procurar tratamento para estas situações, por dificuldade em buscar ajuda ou por achar que é uma situação normal, pode agravar os sintomas ou causar outros tipos de doenças e efeitos colaterais.

Como é feito o tratamento

Expressar as emoções é uma prática importante, mas nem sempre tão fácil, necessitam de uma escuta qualificada, orientada e segura para que a terapia seja eficaz. Emoções e sentimentos são formas de energia que não se pode recalcar por muito tempo, elas precisam ser expressas, postas para fora, o meio natural para isso é pelo intermédio da fala.

Por vezes o indivíduo se torna incapaz de expressar o seu sofrimento, não por orgulho, e sim por sequer conseguir compreende-lo, é nesse ponto que entra o trabalho do analista. O tratamento para estas doenças pode envolver o uso de medicamentos como analgésicos, anti-inflamatórios e anti-histamínicos para aliviar seus sintomas, no entanto, é importante o acompanhamento de um terapeuta, para falar das emoções represadas que interferem no sistema nervoso e defesas do organismo, e tratar a origem emocional do problema. Alguns casos mais graves podem ter o auxílio de medicações, mudança de hábitos prejudiciais para diminuição da ansiedade, exercício físico, etc., mas se a causa é um conflito familiar difícil de suportar, trauma de infância, situação de estresse elevado ou exposição à alto risco, a terapia é essencial e o caminho que pode ajudar a lidar com os problemas.


Não é raro pessoas em terapia simplesmente esquecerem que estavam doentes, ultrapassando a dor e os sintomas de forma imperceptível.

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Eliezer Andrade é psicanalista clínico e atende Online e presencial em Natal/RN
84 98802-0644 - pessoal
84 98163-4595 - consultório

www.andradepsicanalista.com.br   e-mail: psicanaliseandrade@gmail.com

sábado, 1 de julho de 2017

Mecanismos de Defesa

Mecanismos de defesa são uma parte de nossa vida cotidiana. Os mecanismos de defesa não são apenas uma medida de proteção inconsciente para impedi-lo de se conectar com seus desejos instintivos nocivos. Eles também vão protegê-lo da ansiedade de enfrentar suas fraquezas. Existem muitos tipos de mecanismos de defesa conhecidos e explicados pelas teorias da psicologia.

Os mecanismos de defesa são determinados pela forma como o indivíduo tenta defender-se psiquicamente (de forma inconsciente) de sentimentos que lhe seriam extremamente dolorosos ou insuportáveis, sem uma ajuda externa para ultrapassa-los. As diversas situações vivenciadas podem desencadear sentimentos inconscientes, provocando reações menos racionais e objetivas e ativando então os diferentes mecanismos de defesa, com a finalidade de proteger o Ego de um possível desprazer psíquico, anunciado por esses sentimentos de ansiedade, medo, culpa, entre outros. Resumindo, os mecanismos de defesa são ações psíquicas que buscam reduzir as manifestações iminentemente perigosas ao Ego.

Os eficazes diminuem ansiedade/os ineficazes geram sintomas-
Todos os mecanismos de defesa exigem certo investimento de energia e podem ser satisfatórios ou não em cessar a ansiedade, o que permite que sejam divididos em dois grupos: Mecanismos de defesa bem-sucedidos e aqueles ineficazes. Os bem-sucedidos são aqueles que quando funcionam bem conseguem diminuir a ansiedade diante de algo que é perigoso, por exemplo, a repressão, o recalque, etc. Os ineficazes são aqueles que não conseguem diminuir a ansiedade e acabam por constituir um ciclo de repetições, produzindo sintomas. Nesse último grupo, encontram-se, por exemplo, as neuroses e outras defesas patogênicas.

A Projeção é um desses mecanismos comuns observados no dia a dia das relações humanas.

Resumidamente, podemos dizer que é o deslocamento de um impulso interno para o exterior, ou do indivíduo para outro. Os conteúdos projetados são sempre desconhecidos da pessoa que projeta, justamente porque tiveram de ser expulsos, para evitar o desprazer de tomar contato com esses conteúdos. Um exemplo é uma mulher que se sente atraída por outra mulher, mas projeta esse sentimento no marido, gerando a desconfiança de que será traída, ou seja, de que a atração é sentida pelo marido. Além desse, outros exemplos de projeção podem estar na causa de preconceitos e violência. Para conceber a projeção como mecanismo de defesa o Ego primeiramente considera a suposição de que o reconhecimento de uma qualidade particular em si mesmo poderia causar-lhe dor psíquica.

Outro exemplo: A pessoa sente que uma roupa na qual gastou demais parece realmente ruim. Vestindo a roupa, entra na sala onde seus amigos olham, talvez, por um momento muito longo (em sua opinião). Eles não dizem nada e não fazem nada que na realidade poderia ser interpretado como crítica. No entanto, sua insegurança sobre a roupa (e angústia por ter pagado demais por ela) leva-a “projetar” os sentimentos em seus amigos, e deixa escapar- “Por que você está me olhando assim? Você não gosta dessa roupa? ” Imagine o Ego deste indivíduo um projetor de cinema que tenta responsabilizar a tela pelas imagens apresentadas na cena. É mais do que isso, pois na realidade psíquica, a cena retorna e é reinterpretada pelo indivíduo como sendo gerada pela tela, o que faz satisfazer seus intentos num processo que inclui também a negação da origem.

Em um caso mais intrincado, a pessoa pode projetar os sentimentos mais gerais de culpa, inferioridade ou insegurança em seus amigos, ou pior, pessoas que ela não sabe que a amam, e que passam a contar com todas as suas falhas projetadas sobre elas. Digamos que a pessoa está preocupada que não seja realmente muito inteligente. Comete um erro bobo que ninguém diz nada sobre, e acusa os outros de dizerem que ela é burra, inferior, ou simplesmente estúpida. O ponto é que ninguém disse nada que na realidade poderia ser interpretado como crítica. A pessoa então projeta suas inseguranças sobre os outros e, no processo, alienando-os e possibilitando em sua estratégia que eles se sintam menos inteligentes como ela também, em função de seu possível preconceito ou equivocado juízo de valor.

A problemática em não se aperceber ou não tratar devidamente a presença desses mecanismos, encontra-se na afetação dos relacionamentos nos quais se interpõem tais mecanismos, passando os mesmos a sempre mediarem as relações, não permitindo ao sujeito uma conexão verdadeira, gerando sentimento de abandono, solidão ou rejeição. Também é comum tais efeitos se cristalizarem nos comportamentos e serem adotados como "características" de tais pessoas, portando incorporados na personalidade como algo a ser preservado e considerado como parte do indivíduo.

De modo geral, há muitos melindres para abordar e tratar tais situações. Um bom processo de análise, vai aos poucos possibilitando alcançar o núcleo patogênico de tais reações e possibilitando ao sujeito dar outro sentido aos sentimentos e reações, tornando sua vida e das pessoas ao redor mais leve e agradável.

Eliezer Andrade é psicanalista clínico e atende Online e presencial em Natal/RN
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